Bebê morre após sofrer espancamento; principal suspeita é a mãe
A equipe médica do Hospital Universitário (HU) de Jundiaí confirmou a morte da bebê de um ano e três meses que estava internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HU desde o dia 19 deste mês, quando deu entrada no local em coma e entubada, após sofrer quatro paradas cardíacas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vetor Oeste.
Segundo a nota emitida pelo HU, a morte foi confirmada às 17h30. A equipe médica havia iniciado o protocolo de morte encefálica na quarta (24).
A criança deu entrada na UPA com a clavícula fraturada, queimaduras no couro cabeludo e no pescoço e, após sofrer quatro paradas cardíacas, foi transferida em coma. No HU, a equipe médica entrou em contato com a Polícia Militar (PM), denunciando o caso.
A mãe da criança foi presa em flagrante e, após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
Tentativa de homicídio
Segundo a Polícia Civil, as agressões sofridas pela bebê estão sendo investigadas como tentativa de homicídio. O caso havia sido registrado como “lesão corporal grave e maus-tratos”, mas a corporação acredita que há indícios de que a vítima era agredida desde o mês de fevereiro deste ano, quando deu entrada pela primeira vez no HU.
Em entrevista ao telejornal TEM Notícias, da TV TEM, o delegado Rafael Diório, do 5º DP de Jundiaí, disse que as investigações apontam que o bebê era agredido “de forma intensiva”, com fraturas nos braços, queimaduras e um quadro de desnutrição.
“É uma sequência de condutas que não são compatíveis somente com maus-tratos. Consideramos até quase como uma tortura, porque desde fevereiro a criança é vítima dessas agressões físicas intensas. Não é só um ralado”, explicou o delegado.
O histórico
Em fevereiro, a menina havia sido internada por oito dias por apresentar quadro de desnutrição e marcas de mordidas pelo corpo. Uma médica que atendeu a vítima denunciou a mãe à polícia, e o caso foi registrado como lesão corporal de natureza grave e violência doméstica.
O Conselho Tutelar chegou a acompanhar a família, mas perdeu contato após a mãe mudar de endereço sem comunicar o órgão.
Ainda no TEM Notícias, a coordenadora pediátrica do HU, Stela Tavolieri, disse que a criança chegou ao hospital entubada e com inúmeras lesões pelo corpo:
“Essa criança apresentava queimaduras, inúmeras mordidas, em tempos diferentes, mordidas de tamanho adulto. Apresentava dedos sem unhas, que haviam sido arrancadas, várias fraturas em diferentes graus de consolidação, contusão pulmonar, sangramento cerebral, fraturas e hematomas nos dedos e inúmeras lesões que não ocorreram exclusivamente naquele momento.”
A mãe é moradora do Jardim das Tulipas e, após ser presa, foi encaminhada à Cadeia de Itupeva. Ela deve ser transferida para uma unidade prisional da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) do Governo do Estado.
A versão da mãe
A mãe, que foi presa como a principal suspeita de ter espancado a filha de um ano e três meses, disse em depoimento à Polícia que apenas “chacoalhou a criança para tentar reanimá-la”.
A mulher de 23 anos foi presa em flagrante e depois teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça, após passar por audiência de custódia.
Em entrevista ao telejornal TEM Notícias, da TV TEM, o delegado Paulo Sérgio Martins disse que os surtos apontados pela suspeita foram verificados pela equipe médica, que não identificou qualquer tipo de dificuldade neurológica na criança.
“Ela (mãe) nega, ela fala que a criança teve um surto (...) e que teria chacoalhado a criança para ver se reanimava, mas e as lesões antigas? O porquê da mordedura? Então, são várias situações que levam a crer que houve uma violência doméstica praticada contra a criança”, completou.
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Redação 25 de Setembro de 2025
