A polêmica do “Bloquete”

Justiça ou preconceito? Câmara de Vinhedo faz CPI contra o “Bloquete”

Ilegal ou dentro da lei? Legislativo tem queda de braço com foliões

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Justiça ou preconceito? Câmara de Vinhedo faz CPI contra o “Bloquete”
Justiça ou preconceito? Câmara de Vinhedo faz CPI contra o “Bloquete” Foto: Internet

Justiça ou preconceito? Câmara de Vinhedo faz CPI contra o “Bloquete”

O Poder Legislativo de Vinhedo vem travando, há quase quatro meses, uma queda de braço com o bloco carnavalesco “Bloquete”, que, no dia 18 deste mês, ganhou mais um capítulo com a segunda oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as “possíveis” irregularidades cometidas pelo “Bloquete” durante o Carnaval 2025, na cidade.

A iniciativa foi do vereador Malcon Mazucatto (PL), que apresentou, em 10 de março, oito dias após o desfile do bloco nas ruas vinhedenses, um requerimento de abertura de uma CPI. Do outro lado, o bloco carnavalesco defende que a administração da cidade cumpra a Lei Municipal de 9 de maio de 2011, que inclui o Carnaval de rua no calendário oficial de Vinhedo.

Quem é o Bloquete
O bloco carnavalesco Bloquete é conhecido por ser um dos mais coloridos do interior de São Paulo. O bloco surgiu em 2013, em Vinhedo, e desde então tem participado de diversos eventos, como a Festa da Uva de Vinhedo, a Parada do Orgulho LGBT+ de Valinhos e o Feverestival.

O que os dois lados dizem
Para Mazucatto e os vereadores, o desfile do Bloquete, realizado na Avenida 9 de Julho, uma das principais vias da cidade, no dia 2 de março, foi ilegal, sem autorização da Prefeitura, causando “transtornos” à população, comerciantes e fiéis católicos que participavam da missa na Igreja Matriz de Sant'Ana.

Felipe Schiezaro e Mariana Dias, integrantes do bloco, ouvidos durante a segunda oitiva da CPI, no dia 18 deste mês, garantiram ao presidente da Comissão, Mazucatto, ao relator Rubens Nunes (PL) e ao membro da mesa, Carlos Florentino (PP), que o trajeto do desfile foi protocolado com a Guarda Municipal e que foi alterado a pedido da corporação.
“Mesmo que a manifestação não exija autorização, nós entendemos por bem acatar as determinações da autoridade ali presente naquele momento, para alterar esse trajeto”, disse Mariana Dias, que ainda destacou: “Como é uma manifestação, nós fizemos, conforme orienta o STF (Supremo Tribunal Federal), nós não fizemos nenhum pedido ao poder público, nós protocolamos o aviso sobre a manifestação, para que o poder público tivesse a ciência de que ela ocorreria.”

Para que servem as oitivas
As oitivas fazem parte da fase de coleta de informações, e outras etapas devem ocorrer conforme o avanço dos trabalhos. Também prestou depoimento, como testemunha, o secretário municipal de Cultura e Turismo, Renato Romanetto.

O que Mazucatto diz?
No dia 10 de março, ao defender seu requerimento e elogiar os vereadores que o aprovaram, Malcon Mazucatto disse querer “apurar, porque eu estive aqui no dia do Bloquete, não sei se algum vereador esteve também. O efetivo que tinha aqui por conta de meia dúzia de baderneiros era absurdo. Então eu quero apurar. Houve algum crime na cidade? De repente, o crime pode ter acontecido porque vocês (a Guarda Municipal) estavam aqui, ocupados com o pessoal travando a 9 de Julho, cerceando o direito de ir e vir das pessoas e várias viaturas, homens da nossa querida Guarda, que às vezes poderiam prestar o serviço efetivo em nossa cidade, combatendo o crime, mas infelizmente tiveram que estar aqui presentes, cuidando de marmanjo pulando carnaval.”

A oposição
A principal voz na defesa do bloco carnavalesco foi a vereadora Nayla de Souza (REDE), que, no mesmo dia em que o requerimento de Mazucatto foi para votação, subiu ao púlpito: “Vir aqui e protocolar CPI contra bloquinho de carnaval é muito fácil, mas é risível. É vergonhoso para esta Casa (Câmara dos Vereadores). Porque, se colocamos o pé ali fora e perguntamos para qualquer pessoa dessa cidade, não importa o bairro, não importa a classe social, muito menos importa se a pessoa vota no Lula ou no Bolsonaro, se é de esquerda ou de direita, põe o pé para fora da Câmara e pergunta para alguém que mora em Vinhedo: qual é o problema da cidade hoje? Eu garanto que nenhuma pessoa vai responder que foi o bloquinho de carnaval que passou na rua no domingo.”
Nayla ainda lamentou pela Câmara: “É lamentável a pessoa que se propõe a fazer um trabalho de renovação começar rebaixando tanto o nome desta Casa.”

Moral da história
Atualmente, a cidade de Vinhedo vive cortes de verba na educação, problemas com a coleta de lixo, e o atual prefeito, Dario Pacheco (PSD), decretou nesta quinta-feira (26) a intervenção na Santa Casa da cidade, o único hospital público de Vinhedo, por 90 dias.

Enquanto a CPI se dedicará a ouvir os foliões, o tempo dirá se é uma investigação legítima ou tentativa de censura. Atualmente, enquanto este texto é escrito, a CPI segue — e o Bloquete também.


Redação 27 de Junho de 2025